Nascido no seio de uma família ligada à terra, dedicou os primeiros dois anos de trabalho à agricultura, com o pai. Foi por volta dos 15 anos que descobriu o seu verdadeiro rumo, a arte de entalhador, sob a orientação do Mestre Mendes. Aos 18 anos, já com a técnica apurada, estabeleceu-se por conta própria, numa época de ouro para os entalhadores em Paredes: a partir de fotografias trazidas pelas fábricas da região, desenhava à mão livre os intrincados motivos que dariam vida ao mobiliário, recorrendo à técnica tradicional de dobragem do papel para garantir a simetria perfeita.
Com a ascensão do mobiliário de linhas direitas, a talha entrou em declínio e José Torres soube reinventar-se, aprendendo o ofício de marceneiro. Entre 2015 e 2020, o seu talento como entalhador voltou a ser requisitado pela empresa Época, onde esculpiu peças de luxo destinadas a mercados internacionais que ainda valorizavam a alta talha portuguesa. Hoje trabalha numa fábrica de mobiliário como marceneiro, onde o seu saber ancestral da talha ainda brilha ocasionalmente em encomendas especiais. Encara com preocupação o risco de desaparecimento desta arte, mas a talha permanece a grande paixão de uma vida.