Na obra célebre “As Mulheres do Meu País”, Maria Lamas definiu a carrejona como uma “mulher que se dedica especialmente a fazer carregos. Muitas vão para a cidade e transportam, à cabeça, toda a espécie de volumes, empregando-se igualmente como carregadoras oficiais nalgumas estações do caminho de ferro.”
Era tarefa das mulheres e das crianças, esta de carregar o mobiliário desde as oficinas até à estação de comboio, ou mesmo até às cidades. As carreteiras faziam o difícil e exigente transporte de pesados móveis às costas e à cabeça, com o auxílio de suportes adaptados, carregando várias peças de cada vez, por longas distâncias.
A profissão exigia resistência física, espírito de sacrifício e conhecimento dos percursos comerciais, constituindo hoje uma memória significativa do património humano associado à indústria tradicional do mobiliário e das artes da madeira.
“Era como a gente levava. […] Amarradas com uma corda, duas, outras duas por cima, e outras duas por cima. Seis. […] Quando eram mais cadeiras, uma minha prima vinha ajudar, nós íamos as duas.” Maria Georgina Leal, Carreteira