Iniciou o seu percurso na madeira aos 15 anos, na oficina do mestre entalhador Azélio Leal, onde trabalhava ao lado de uma dezena de outros jovens. Essa oficina foi a sua verdadeira «universidade» durante sete anos. Do mestre, guarda a memória de um grande homem, dotado de enorme humanidade e mestria. Aos 22 anos, estabeleceu-se por conta própria e manteve a oficina ativa durante cerca de 25 anos, transmitindo o saber a vários colaboradores e aprendizes.
Recorda a época de ouro em que a talha era um pilar da economia de Paredes, com inúmeras oficinas especializadas e um forte espírito de cooperação entre entalhadores para responder às fábricas, que produziam os célebres móveis de estilo: D. José, D. Maria, D. João V, Luís XV e Renascença. Para si, a beleza da arte reside no desbaste minucioso, na forma como uma flor ou uma tulipa ganham relevo na madeira, parecendo quase naturais. Entre as obras mais marcantes, recorda com profunda emoção um trabalho que executou em parceria com o seu mestre para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Rebordosa, esculpindo o símbolo da instituição.